O Amor Que Não Ousa Dizer Seu Nome (Soneto XXXII)



“O Amor que não ousa dizer seu nome”
Bateu-lhe à porta ao acaso, um dia.
E ele, inebriado pela cotovia
(que paira à janela, mas depois some...),

sentiu crescer, súbito, na alma, uma fome
de algo que, até então, desconhecia.
Desejo... estranheza... culpa... agonia...!
Desce aos umbrais, na angústia que o consome.

...porém, depois das lágrimas enxutas,
chamou a cotovia, deu-lhe frutas,
e sorveram, um no outro, a própria essência.

E ambos, nessa atração de semelhantes,
Num cingir de músculos, os amantes
Ergueram-se aos portais da transcendência.



Oscar Wilde

Comentários