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quarta-feira, julho 01, 2015

Ao Cristo Crucificado



Não me move, Senhor, para querer-te,
o céu que me hás um dia prometido;
nem me move o inferno tão temido,
para deixar por isso de ofender-te.

Move-me tu, Senhor, move-me o ver-te
cravado nessa cruz e escarnecido;
move-me no teu corpo tão ferido
ver o suor de agonia que ele verte.

Move-me ao teu amor de tal maneira,
que a não haver o céu eu te amara
e a não haver o inferno te temera.


Nada tens a me dar porque te queira
pois se o que ouso esperar não esperara,
o mesmo que quero te quisera.

Madre Tereza De Ávila (1515-1582)


(Tradução de Manuel Bandeira, 1886-1968)

sábado, maio 30, 2015

Musa da Delicadeza



Abriu a porta, toda reluzente
E o tempo obediente parou
Teu sorriso iluminou o ambiente
Meu coração, de contente, disparou

E eu ali estrategicamente sentado
Vejo entrar a musa do gesto delicado
Aproveito pra escutar tua respiração
Ler teus lábios com admiração

Analiso teu gesto elegante
Teus olhos, joia rara, brilhante
Encontrar a delicadeza do teu olhar
Foi como a praia que encontra o mar

Muito silêncio, tanto significado
Cabelo solto, cabelo amarrado
Uma calça preta, uma calça branca
E a tarde fica mais bela e franca

Quando não vens, os correderes
Mais parecem campos sem flores
Solitários desertos de beleza
Carentes, sem saudar vossa alteza

E vejo a maciez das tuas mãos nuas
Me perco, sonho beijando as duas
Sonhei com você, que era mais que amigo
Que no meu peito, um dia, faria teu abrigo

Nascia belo dia, e como cavalheiro medieval
Te conduzia a uma florida catedral
Brilhava teu rosto formidável e risonho
E ao teu lado realizava meu sonho.

Murchavam as ilusões da vida
E a minha musa inspiradora, querida
Minha quimera doce, delicada, inatingível
Disse sim, e meu sonho se fez possível...


Raimundo Salgado Freire Júnior




sexta-feira, maio 08, 2015

E Então, Que Quereis?



Fiz ranger as folhas de jornal
abrindo-lhes as pálpebras piscantes.
E logo
de cada fronteira distante
subiu um cheiro de pólvora
perseguindo-me até em casa.
Nestes últimos vinte anos
nada de novo há
no rugir das tempestades.
Não estamos alegres,
é certo,
mas também por que razão
haveríamos de ficar tristes?
O mar da história
é agitado.
As ameaças
e as guerras
havemos de atravessá-las,
rompê-las ao meio,
cortando-as
como uma quilha corta
as ondas.


Vladimir Maiakóvsky

segunda-feira, abril 20, 2015

Você é Uma Obra de Arte



Você é uma obra de arte
Que só um gênio poderia pintar
Que só um tolo não sabe contemplar
Não sou gênio, nem tolo, mas faço poema
Para aquela inesquecível cena:
Teu corpo deitado na cama
Com um sorriso de quem ama...
Uma verdadeira escultura
Em versos, te vejo numa moldura
Linda pintura imponente 
A visão poética do desejo
Rimando como um verso caliente
Iluminando esse corpo sertanejo
Suspirando sutil no ouvido
Sílabas de um grito florido...
Ai aquele tesouro no meu castelo
O encontro da arte e do belo
As cores vivas de uma pintura
Pincel perfeito fez tua cintura...
Em êxtase o tempo passou
E aquela imagem não se apagou
Daquela inspiradora musa
Naquela manhã de verão
Deixou um cheiro na blusa
Virou pintura, poema, canção...


Raimundo Salgado Freire Júnior







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