Sugestão de Leitura: Guerreiros do Sol - Violência e Banditismo no Nordeste do Brasil



Acabei de ler, e recomendo, o excelente livro Guerreiros do Sol - Violência e Banditismo no Nordeste do Brasil, de Frederico Pernambucano de Mello, historiador e procurador federal recifense, 5ª edição, pela editora Girafa.

Guerreiros do Sol não é um livro para curiosos, não é uma leitura para "passar o tempo". Ao contrário, é um estudo abrangente em sua abordagem antropo-sócio-histórica. O autor aprofunda-se na busca das origens histórico-culturais do cangaço além de situá-la no contexto político da época.

Some-se a isso um rigor metodológico e um marco teórico invejável fundamentado numa extensa pesquisa que levou em conta, inclusive, a linda poesia sertaneja da literatura de cordel, bem como depoimentos de cangaceiros, inclusive de um que pertenceu ao grupo liderado por Virgulino Ferreira da Silva, vulgo, Lampião, além de jornais, fotos e outras fontes primárias.

O autor nos apresenta as origens da violência no nordeste explicando-a à luz do ciclo do gado, de um "feudalismo tardio" no nordeste, dos "coronéis" latifundiários, da cultura de que valorizava o "cabra valente" em que a honra era lavada com sangue. Das secas terríveis do sertão nordestino que empurrava os jovens para o banditismo; da legenda que foi sedimentada em torno dos cangaceiros que eram endeusados na literatura de cordel; da "hobinhoodização" em torno do mais temido bandido do cangaço, Lampião; da inevitável simbiose entre o coronelismo com o cangaceirismoCangaço que era socialmente aceito pelos sertanejos, seja por temer os cangaceiros, seja por considerá-los valentes benfeitores.


Foram ainda esses ícones do cangaço que, na República Velha do então presidente Artur Bernardes,  foram voluntários armados e fardados para combater a Coluna Prestes em nosso sertão em 1920, nos famosos batalhões patrióticos. Por outro lado foram duramente combatido pelo Estado Novo de Getúlio Vargas.

O autor ainda nos leva a outros fatos históricos como o Pacto do Coronéis, em 04 de outubro de 1911, alinhavado pelo Padre Cícero Romão Batista em Juazeiro do Norte-CE, a Meca do Nordeste, bem como ao ataque frustado de Lampião a cidade de Mossoró-RN, em 1927, localidade em que o famoso rei do cangaço foi recebido à bala pela polícia e pela população.

O livro nos remete ao encontro dos grandes cangaceiros como "Corisco", "Cabeleira", "Antonio Silvino", "Antonio Jerimun", "Volta Seca", "Antonio Freire", "Beija-Flor", "Quelé", "Meia-Noite", além óbvio do 'tigre do sertões", do "governador dos sertões" o famigerado Lampião que fora abatido na grota do Angico, em Sergipe, pelo Tenente João Bezerra em 28 de julho de 1938. 

Guerreiros do Sol nos apresenta o cangaço como ele realmente foi: uma guerrilha típica do semi-árido, produto acabado do laboratório sócio-político-cultural nordestino.

Imperdível!



Raimundo Freire.



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