Crise de Autoridade dos Pais

Um conflito comum na família moderna é a crise de autoridade dos pais, ou seja, a dificuldade de muitos pais em colocar limite no comportamentodos filhos, na justa medida, sem os excessos do autoritarismo e sem as omissões que podem ter consequências funestas como a deliquência e o consumo de drogas, lícitas e ilícitas.
Conversava eu com uma amiga que me expunha as suas dificuldades em educar seus filhos: a escola onde a filha deveria estudar, a universidade onde o filho deveria se graduar, até mesmo a cidade onde os filhos deveriam morar (se na cidade do pai ou na cidade dela, a mãe), resumindo: ela não tinha controle sobre nada, e os filhos decidiram ir morar com o pai que, ausente na educação e na vida dos filhos até os 15 anos, agora posava de bom moço e lhes permitia fazer e acontecer, para compensar a sua ausência de tantos anos, omitindo-se de exercer sua autoridade.
Educar uma criança ou um adolescente significa torná-lo um ser civilizado, apto ao convívio social, cumpridor de seus deveres e consciente de seus direitos. Porém, não se faz isso sem definir limites, sem deixar bem claro o que pode e o que não deve ser feito.
Muitos pais simplesmente não sabem o que fazer com a rebeldia dos filhos...
Estão simplesmente colhendo o que plantaram... Não souberam colocar limites nos filhos, não os ensinaram uma atitude simples chamada respeito, foram crianças mimadas, criadas achando que podiam fazer o que bem entendessem... Ora se os pais não lhes diziam que estavam errados, é natural que eles concluíssem que não precisavam mudar de atitude, pois estavam sempre certos, tinham sempre razão, não eram admoestados.
Mas, Freire, "Eu tenho medo que meu filho deixe de me amar", ora minha amiga, um adolescente feliz é um adolescente sem limites? jogado ao sabor de suas pulsões de seus desejos? Um adolescente sem limites está inapto ao convívio social, a escola, pois não respeitará as regras mínimas do convívio social, logo não será respeitada, portanto infeliz. Também será infeliz na vida a dois pois criará uma expectativa que seu parceiro (a) lhe permitam fazer tudo, como seus pais permitiam, o que efetivamente não acontecerá. Crie seus filhos sem limites, você os estará preparando-os para uma vida de frustações.
Mas, Freire, "Eu tenho medo de punir meu filho e traumatizá-lo", ora, essa é uma visão equivocada que as pessoas tem da psicologia infantil. São os próprios psicólogos que afirmam que é muito mais prejudicial para a criança a idéia de que ela pode crescer fazendo o que bem entender, sem punição. Como uma criança pode entender a importância de uma regra, se ela permanece impune cometendo todo tipo de transgressão? Os traficantes, os homicidas, os pedófilos, os políticos que desviam o dinheiro público, foram crianças que cresceram achando que tudo podiam, num contexto social de completa impunidade...
Você pode ser firme, justo e carinhoso com seu filho, não precisa ser um ditador, um violento. Dialogue com seu filho, ensine valores morais e éticos a seu filho, mas não se omita de exercer sua autoridade. O respeito pelos outros começa pelos respeitos aos pais, ensine seu filho com o seu exemplo, respeite-o também.
Ser pai é acima de tudo ser um educador. Seu filho seguirá seus exemplos, bons ou maus. Portanto mantenha sua autoridade moral, seja o primeiro a obedecer as regras que você exige que seu filho obedeça. Como ensinar seu filho a não fumar se você fuma diariamente? Como exigir que seu filho o respeite se você não respeita seus pais? Como ensinar seu filho a fazer atividades físicas se você é um gordinho de shoping?
Quanto a você meu filho, que se rebelou porque te castiguei.... Não pense que estás me castigando.... Estás castigando a si próprio... Saiba que eu te amo o suficiente para me importar com aquilo que você vai se tornar e não o deixarei fazer o que bem entende, não permitirei que você sabote o seu futuro.
Como diria nosso amado mestre Jesus: "Qual é pai que o filho lhe pedindo um pão lhe dará uma pedra? E qual pai que o filho lhe pedindo um peixe lhe dará uma serpente?"
Um abraço de paz e luz.
Freire.

Comentários

  1. Danyell Vilas Bôas30 de janeiro de 2011 12:06

    Muito bom! Neste mundo que vivemos e acabamos por praticar o velho pacto da mediocridade em que fazemos de conta que não nos importamos uns com os outros palavras sábias ecoam na mente de todos que buscam mudança e esperança para um futuro melhor. Os grandes problemas que nos deparamos em ocorrências é a surpresa dos pais em não terem a tempo observado o erro dos filhos e estarem naquele momento passando por uma situação vergonhosa.
    Freire Jr. seria interessante se pudesse tratar do desrespeito que há nos nossos dias as pessoas, fale da operação força tarefa a qual está sendo desencadeada na cidade, pois a muito as pessoas esqueceram-se que divertir-se passa a ser desinteressante quando eu acabo por desrespeitar aqueles com quem eu convivo. Abraço e muito bom mesmo. Parabéns

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  2. Muito bom e sábio esse comentário!Adorei,bj.Arethusa.

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  3. Agradeço aos comentários!!! Sua sugestão foi muito bem vinda Daniel. Produzirei algumas linhas sobre o assunto. Um abraço em todos.

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  4. Freire.

    Educar sempre gera insegurança, pois amiúde estaremos questionando se nossas ações são as melhores e as mais efetivas.

    Houve épocas, ainda nos lembramos, onde criança educada era criança que obedecia ordens, que não questionava, que não se envolvia em assuntos de adulto, que ficava calada.

    Nessa época, educar era o esforço em se fazer cumprir as ordens sociais, em agir conforme os valores vigentes, sempre rígidos, em cumprir as regras.

    O excesso de rigidez, de inflexibilidade, somado às grandes transformações da sociedade, colocaram esse modelo em cheque, quando não, em profundo desuso.

    Com medo de serem repressores, antiquados e ultrapassados, pais e mães passaram a evitar esse comportamento. E, para terem certeza que não estavam resvalando no antigo, passaram a agir no sentido oposto.

    A partir disso, reprimir, definir regras, impor limites, foram ferramentas abandonadas, desnecessárias para se educar.

    Porém, entre esses dois modelos extremos, há uma multidão de educadores, pais, mães, a se perguntar: Com que ferramentas se educa um filho? Quais os parâmetros para se educar?

    Se lembrarmos que educar é formar o caráter de alguém, é infundir-lhe conceitos, provocar-lhe o hábito, para nascer daí seus valores, vemos que a tarefa é complexa e longa.

    Assim, comecemos com os conceitos. Devemos eleger quais valores consideramos importantes para nosso filho. É necessário tê-los claros e conversar sobre eles com nosso filho. Discutir, refletir, buscar exemplos na sociedade, na televisão, nos noticiários.

    Em seguida, vivenciarmos com ele tais valores. Fazer de nós mesmos o exemplo, mostrando-lhe que também estamos em um processo de educação, nessa grande escola chamada Terra.

    Depois, dar-lhe a oportunidade de decidir e tomar algumas iniciativas, para logo mais refletir com ele a respeito das ações que ele vem tomando, e das consequências dessas ações.

    Fazer com que ele perceba que se sofre as consequências das boas e más ações, conforme as atitudes e decisões.

    A partir daí, será da insistência, do repetir das ações e da vivência, que se irão inserindo os valores no coração de nossos rebentos.

    Apenas através de hábitos novos é que se conseguirá modificar valores antigos, ou criar novos valores.

    E novos hábitos serão construídos a partir de bons conceitos que se tiver em mente.

    Desta forma, não se deixe levar apenas por modismos, e nem se preocupe em ser moderno e atual.

    Para educar, o coração será sempre um bom guia onde, pautados por valores nobres, seguiremos em direção segura.

    E ainda, se estivermos atentos, com olhos de cuidado e desvelo sobre aqueles a quem temos a responsabilidade de educar para a vida, teremos boas chances de ter sucesso nesse grande desafio que se chama educação.

    Redação: Momento Espírita.

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