Crônica: Condenado Pelo Amor



Quando amamos não escutamos o fora. Não escutamos que ele ou ela não nos deseja realmente.  Não entendemos os recados, as diretas, as indiretas. Se alguém ama você e você não ama essa pessoa, você está ferrado. O amor platônico é um grude.

Ela(e) vai lhe perseguir por um bom tempo. Talvez por toda a vida. 

Você pode avisá-lo (a) que não tem chances, que não adianta insistir, que não é por mal. Ela (e) ficará ainda mais encantada(o) com a dificuldade, a ponto de encher sua caixa de mensagens com frases românticas de superação tipo: "não sabendo que era impossível, foi lá e fez".

Você não atende mas nenhuma ligação dela. Nenhuma das vinte. Primeiro deixa tocar; depois, põe no silencioso; em seguida, desliga na cara. Ele(a) dirá que você está ocupado e que compreende o excesso de trabalho.

Você desmarca cinco vezes um encontro. Ela(e) irá concluir que foi coincidência. Você decide ser mais contundente e passa a ser grosseiro, ofender, falar baixarias. Ela(e) fará interpretações terapêuticas, explicando que você está com raiva e que quem tem raiva ama.

Você pode barrá-la (o) no orkut, no facebook, no twiter no email. Ela(e) tratará de dizer que é medo de um relacionamento sério. Você poderá mudar sua estratégia e ser educado, explicar uma por uma de suas razões com toda a paciência. Ela (e) entenderá que sua calma é um sinal que finalmente você vem aceitando a paixão.

Você declara que só quer ser amigo dela. Ela (e) é capaz de rir e acreditar que já é um começo.

Não existe escapatória. Quem ama entende o que quer e faz o que quer. Inventa desculpas no nosso lugar. Cria desculpas para continuar amando.


Maurício Carpinejar


Comentários

  1. Na minha concepção isso chama-se amor verdadeiro, aquele que é capaz de se sujeitar a muita coisa...

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  2. Obrigado por sua opinião "Anônimo".

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