segunda-feira, agosto 24, 2015

A Lágrima da Distância



Dançavam seus olhos
Na cortina do horizonte
O tambor da saudade insistia em bater
A lágrima da distância
Molhava a janela da sua alma apaixonada
Pulsavam em seu coração
As lembranças daqueles dias delirantes
Vividos sob a luz das brasas da paixão
Havia se entregado de corpo e alma
Para aquele homem incomum
Por aqueles momentos
Ela faria tudo de novo
Com um sorriso nos lábios
E uma certeza no coração
Aquele cara tinha nocauteado seus medos
Com a força da sua delicadeza
Com a violência da sua gentileza
Deixou em seu corpo o gosto do paraíso...
Sua boca ressecada
Pela falta dos beijos dele
Repete seu nome gostosamente
E cada respiração sua agora
É como o ponteiro do relógio
Marcando o tempo que falta
Para curar a dor
De, ainda, não poder respirar
O mesmo ar que ele respira...

Raimundo Salgado Freire Júnior




sexta-feira, agosto 21, 2015

Selvagemente Muda




Adoro ver-te selvagemente muda
Impossibilitada de falar, pois preenchida
Ajoelhada maliciosamente na minha frente
Sem poder falar e me deixando sem voz
Consumindo com força toda a minha força
Me arrebatando, deveras enlouquecido...
Minha chave fechou a porta da tua voz
E abriu o caminho da minha apoteose
Desesperando as minhas estruturas
Com a volúpia de um furacão insano...
Admiro como privilegiado observador
Teu olhar faminto e sedento de mim
Sinto meu corpo flutuar sob teu capricho
Tu te apoderas de cada gosto meu
O teu cheiro e teu suor jamais sairão de mim
Desnudo minha vontade de te coroar
E descortino o véu do teu sabor...
Sou como pipa soprada por tua boca
Vou às alturas e contemplo o mar
A linha do meu corpo presa em tuas mãos
Um movimento brusco e malicioso teu
E mergulho de cabeça sem medo
Mas com o coração dançando
Ao som das tuas cordas vocais...



Raimundo Salgado Freire Júnior



quarta-feira, agosto 12, 2015

Nem Princesa, Nem Fada, Apenas Minha



Sua boca deixa a minha aberta
Sabe o que dizer e na hora certa
Me fala, me enlouquece, me emociona
Me cala, me  devora, me impressiona...

Teu olhar de um jeito me paralisa
Com as tuas curvas me realiza
Cruza com o meu cruzando o teu
Fala com força ao falo meu...

Deixa meu corpo em doce agonia
Tudo se encaixa em feliz harmonia
É belo, verdadeiro, único e comovente
O amor e o prazer que a gente sente...

Nossa história louca, surreal e majestosa
Nem princesa, nem fada você é deliciosa
Minuciosamente sinto, e como é maravilhoso
O sabor quentinho do teu quadril jeitoso...

Nem princesa, nem fada, apenas minha
Em todos os meus sonhos é você a rainha
Em todas as tempestades é você o meu porto
Teu cais é meu repouso, minha paz e meu conforto...

Deixe que falem, és linda da cabeça ao tornozelo
Não importa teu peso, nem a cor do teu cabelo
Seja minha para sempre, minha rosa, meu buquê
Porque eu desejo e amo, tudo que vejo em você...


Raimundo Salgado Freire Júnior

terça-feira, agosto 11, 2015

Alta Tensão



Eu gosto dos venenos mais lentos
dos cafés mais amargos
das bebidas mais fortes
e tenho
apetites vorazes
uns rapazes
que vejo
passar
eu sonho os delírios mais soltos
e os gestos mais loucos
que há
e sinto
uns desejos vulgares
navegar por uns mares
de lá
você pode me empurrar pro precipício
não me importo com isso
eu adoro voar.


Bruna Lombardi 

(O Perigo do Dragão, Rio de Janeiro: Record,1984.p.36)

quinta-feira, agosto 06, 2015

Quando Fala a Voz do Amor



A lua rasgou a avenida, intrépida
Pintou de branco as ondas do mar
E pairou sobre nossas cabeças
Revelando nossos desejos mais secretos
Como é bom descobrir-se apaixonado...
Você caprichando pra me impressionar
Tua risada despertando o que há de melhor em mim
Lugar especial, diferente, aconchegante
Caipirosca suave temperando tua boca
Costela com molho barbecue, um rock
Cenário impecável para uma história inesquecível
A nossa história de segredos e descobertas
História de viagens em nome do amor
Em hotéis maravilhosos de frente pro mar
Estava sentindo falta disso: de me sentir vivo
Amanhecer e olhar você ao lado adormecida
É saber-se felizardo, sentir-se o escolhido...
Dizem que não existe ninguém insubstituível
Pois você é aquela que não pode ser substituída
Alguém que se dedica a ser melhor pra mim
Alguém que faz de tudo pra me agradar
Está cada vez mais difícil ver você partir...
Todos temos nossos defeitos, desacertos
Mas você e eu aprendemos com nossos erros
Para juntos procurarmos consertá-los
E juntos ouviremos a canção da felicidade
Em volta da fogueira da nossa paixão
E juntos escreveremos nossa história de amor
Nas páginas brancas da lua cheia....


Raimundo Salgado Freire Júnior



terça-feira, julho 28, 2015

Amor de Poetisa



Quero namorar uma poetisa
Que conheça a alma humana
Que tenha a rima precisa
Que no amar seja soberana

Não precisa ser uma Florbela
Uma Cecília, Clarice ou Raquel
Basta me acompanhar feito donzela
Numa eterna lua de mel

Poetisa é mulher de conteúdo
Que teus silêncios é capaz de ouvir
Que com palavras de deixa desnudo
Que até com os olhos vai te possuir

Se te apaixonares por uma poetisa
Agarre-a, não a solte jamais
Ela tem a doçura que eterniza
O ardor de moça que pede mais

Se amas uma poetisa
Considera-te homem de sorte
Ela tem a boca que hipnotiza
E o amor que suplanta a morte

Porque amor de poetisa
É exagerado, deveras criativo
Te liberta como uma suave brisa
Te deixa feliz por se sentir cativo..


Raimundo Salgado Freire Júnior



quinta-feira, julho 23, 2015

O Tempo Parou Naquele Abraço



Por um átimo, o tempo parou naquele abraço
E como presa que não quer sair do laço
Me entreguei aquele momento inesquecível
Encontro de almas, uma alegria indescritível

Uma sublime sensação de paz e carinho
De proteção que só se encontra no ninho
Foi como ver estrelas em pleno dia
Instante iluminado, verdadeira epifania

Do meu abraço aflorou um sentimento
Que escondo no peito em aprisionamento
Até quando inutilmente resistirei a teu sorriso?
Se ele contém exatamente o que eu preciso.

Agradeço a você por aquele segundo infinito
Um lindo poema que ainda nem foi escrito
Fui arrebatado pelo toque suave da tua pele
Minha musa, meu sonho, minha deusa...

Raimundo Salgado Freire Júnior

quinta-feira, julho 09, 2015

Americana agride namorado. Motivo? Ele não quis transar...


Tabatha Lee Grooms, norte-americana de 35 anos, foi presa após atacar o namorado porque ele negou fazer sexo com ela.  chegou também a agredir a própria mãe, de 66 anos.
O namorado, Carlos Rodrecus Grace, teve ferimentos no rosto, cabeça e antebraço esquerdo. Na delegacia, a agressora afirmou ter agredido as vítimas por ter bebido muito.
Ela foi indiciada por violência doméstica.
E você amigo? Enfrentaria a fera?

Fonte: site The Smoking Gun

A Voz Muda do Coração



Tanta brisa, tanto mar
Uma sereia aprendendo a nadar
Japoneses oferecendo comida
O melhor por do sol de uma vida
Conterrâneos do sol nascente
A pororoca assustando gente
No horizonte um barquinho branco
Um sorriso doce, um porto tão franco
Um camarão perfeito, um balde de gelo
Lembrança feito pulseira no tornozelo
À noite uma lua desenhada no céu
Recordações de uma lua de mel
Inspiração que brota de um sorriso
Sentimento que chega sem aviso
São gaitadas que escorrem pelo peito
Alegrando um sonho tão perfeito
Batendo na porta baixa
Para ver se tudo se encaixa
Tudo bom demais pra ser verdade
Mas sonhos também viram realidade
E o que está longe pode ficar perto
O destino torna certo o que era incerto
E a vida vai ficando mais doce
Como se, sonho, realidade fosse
A voz muda do coração ditou esse poema
Pacote completo, uma cena de cinema
Mas, foi embora,  atirou um beijo pela janela
Uma lágrima se jogou, e foi correndo atrás dela
Ficou surda, só ouvia, a voz muda do coração...


Raimundo Salgado Freire Júnior










quarta-feira, julho 01, 2015

Ao Cristo Crucificado



Não me move, Senhor, para querer-te,
o céu que me hás um dia prometido;
nem me move o inferno tão temido,
para deixar por isso de ofender-te.

Move-me tu, Senhor, move-me o ver-te
cravado nessa cruz e escarnecido;
move-me no teu corpo tão ferido
ver o suor de agonia que ele verte.

Move-me ao teu amor de tal maneira,
que a não haver o céu eu te amara
e a não haver o inferno te temera.


Nada tens a me dar porque te queira
pois se o que ouso esperar não esperara,
o mesmo que quero te quisera.

Madre Tereza De Ávila (1515-1582)


(Tradução de Manuel Bandeira, 1886-1968)

sábado, maio 30, 2015

Musa da Delicadeza



Abriu a porta, toda reluzente
E o tempo obediente parou
Teu sorriso iluminou o ambiente
Meu coração, de contente, disparou

E eu ali estrategicamente sentado
Vejo entrar a musa do gesto delicado
Aproveito pra escutar tua respiração
Ler teus lábios com admiração

Analiso teu gesto elegante
Teus olhos, joia rara, brilhante
Encontrar a delicadeza do teu olhar
Foi como a praia que encontra o mar

Muito silêncio, tanto significado
Cabelo solto, cabelo amarrado
Uma calça preta, uma calça branca
E a tarde fica mais bela e franca

Quando não vens, os correderes
Mais parecem campos sem flores
Solitários desertos de beleza
Carentes, sem saudar vossa alteza

E vejo a maciez das tuas mãos nuas
Me perco, sonho beijando as duas
Sonhei com você, que era mais que amigo
Que no meu peito, um dia, faria teu abrigo

Nascia belo dia, e como cavalheiro medieval
Te conduzia a uma florida catedral
Brilhava teu rosto formidável e risonho
E ao teu lado realizava meu sonho.

Murchavam as ilusões da vida
E a minha musa inspiradora, querida
Minha quimera doce, delicada, inatingível
Disse sim, e meu sonho se fez possível...


Raimundo Salgado Freire Júnior




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