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quarta-feira, agosto 28, 2013

Crônica: Sou lembrado, Logo: Existo!



Incrível a incalculável e mais que humana capacidade de ficar magoado quando se é esquecido, ou em termos mais eufemísticos, quando não se é lembrado. Um convite para um festa, para uma feijoada, aquela pelada do fim de semana,um passeio, uma reunião, não importa o evento em si, o que realmente importa é que o ser humano precisa sentir que é lembrado.

É uma necessidade psicológica nossa, todos precisamos de atenção, precisamos ser reconhecidos, precisamos nos sentir aceitos. O animal social precisa sentir que faz parte do bando...

No meu ambiente de trabalho pude perceber, em uma mesma semana, a mesma situação, e duas reações diametralmente opostas, dois policiais: um profundamente magoado porque "não foi lembrado" no seu dia de aniversário, estava ali, todo jururu pelos cantos se sentindo excluído, ovelha desgarrada, reclamando pelos cantos, fazendo questão de reverberar sua reclamação: "esqueceram de mim".

O outro, por sua vez, emocionado, feliz, motivado, era só sorrisos, dizia da sua satisfação em trabalhar naquele local, elogiava seus chefes, exaltava seus subordinados, motivo? No dia do seu aniversário, embora sem festa, foi chamado a sala da chefia e, na presença de todos, ouviu palavras alusivas a seu natalício, em uma cerimônia simples, porém, emocionante, que o levou às lágrimas.

O não ser lembrado corresponde a um não existir, o não fazer parte de um grupo, de uma equipe. A partir do momento em que você não é lembrado você passa a ser "invisível", É como ninguém se importasse com tuas dores, com teus dissabores, com tua vida. Daí vem a reclamação: Ei! eu existo, eu estou aqui, você precisa reconhecer que eu existo, fale comigo, me cumprimente, não passe por mim como se eu não existisse.

Sabe qual o segredo do sucesso das redes sociais? Isso mesmo que você está pensando: lá as pessoas são lembradas, lá as pessoas se dão a conhecer, mostram o que são, e na maioria das vezes o que não são. Embora seja virtual, mas as pessoas são reconhecidas, são aceitas, elas dão seu recado pro mundo: Eu existo! É nas redes sociais que as pessoas, mesmo as mais solitárias, sentem que fazem parte de algo, é ali que ela são "curtidas"e  "compartilhadas".

O ato de "curtir" ou "retwitar" ou "compartilhar" um postagem de alguém é uma ato simbólico de reconhecimento: eu concordo com você, eu me lembrei de você, você existe para mim. Lembro de um namorico que tive com uma moça muito jovem que me reclamava muito magoada: eu coloquei tal coisa na rede social, há mais de uma hora e você não curtiu... Foi bem ali que eu cheguei a conclusão que tava na hora de compartilhar meu corpo gordinho com outra mulher, menos insegura, menos necessitada de aceitação.

Lembro-me, ainda, que uma vez compartilhei um "bandeco" com um menino de rua, desses que pedem dinheiro nos semáforos e ele me confessava que o que mas lhe doía não eram as pessoas que não davam trocados, o que mais doía eram as pessoas que ele cumprimentava, pedia umas moedas e as pessoas não o cumprimentavam de volta, passavam por ele "como se ele não existisse"... é o que os psicólogos chamam de "invisibilidade social".

Já parou pra pensar que o problema talvez esteja em você, em seu comportamento? Quantas pessoas você deu bom dia hoje? Você já lembrou de Deus hoje? Falou com Ele? Há quantos amigos você ligou hoje felicitando-o pelo aniversário? Já deu um abraço hoje no seu subordinado? Já deu cumprimentou seu chefe hoje? Beijou sua mulher antes de sair de casa? Já "curtiu" algum post hoje? 

Plante, semeie, distribua, dê antes aquilo que você espera receber. Pois cada um de nós recebe, exatamente, aquilo que dá. Seja você aquele que tem a nobre iniciativa de lembrar de alguém, e, assim procedendo, não serás esquecido.

Sou lembrado, logo: existo!



Raimundo Freire

terça-feira, novembro 30, 2010

Comportamento: Dor de Cotovelo Nas Redes Sociais

Uma pesquisadora americana diz que as redes sociais tornaram os términos de relacionamentos ainda mais difíceis. Os brasileiros concordam FERNANDA COLAVITTI DETETIVE A enfermeira Paula Bortolotti, em sua casa, em Santo André. Bisbilhotar o Orkut do ex prolongou namoro em crise A enfermeira paulista Paula Bortolotti, de 28 anos, diz que demorou quatro anos para terminar definitivamente um namoro em crise. As diversas idas e vindas aconteciam porque ela não conseguia se desconectar do ex na internet. Como os dois haviam apagado seus perfis no Orkut durante o relacionamento para evitar brigas, a maneira que Paula encontrou de bisbilhotar a vida do rapaz foi usar o perfil de uma amiga dela para fuçar a página dos amigos dele. “Eu olhava o perfil dos amigos mais próximos dele para procurar alguma coisa sobre ele”, diz. E encontrava. Todos os indícios de paqueras e flertes eram devidamente checados. A enfermeira ia tirar satisfações com o ex, os dois discutiam e acabavam voltando. E ela continuava monitorando os passos do moço na rede. O que reiniciava o ciclo. Ao contrário de Paula, o arquiteto mineiro Bruno Ferreira, de 30 anos, apagou a ex-namorada de seus contatos no Facebook assim que o namoro de dois anos terminou. “Eu não queria saber nada sobre a vida dela para poder esquecê-la mais rápido”, diz. Mas, como os dois tinham muitos amigos em comum na rede social, isso não foi possível. “Eu sempre via um comentário ou uma foto dela nas atualizações de algum amigo em comum.” Para evitar a tortura, Bruno decidiu sair do Facebook. Paula e Bruno são dois exemplos de uma praga que acomete os términos de relacionamentos no século XXI: a dor de cotovelo virtual. Com mais de 900 milhões de usuários em todo o mundo – 35 milhões no Brasil –, todos ávidos por falar sobre sua intimidade e vasculhar a dos outros, as redes sociais tornaram-se o ambiente perfeito para a propagação dessa nova modalidade de fossa. Além de manter os ex-pombinhos conectados virtualmente (por vontade própria ou não), as redes sociais também se tornaram uma das principais maneiras de comunicar ao mundo (em alguns casos, até ao parceiro) o fim de um relacionamento. É o que mostra o recém-lançado livro Breakup 2.0 – Disconnecting over new media (Rompimento 2.0 – Desconectando-se através das novas mídias, ainda sem tradução no Brasil), da antropóloga americana Ilana Gershon. Durante quatro anos, a professora da Universidade Indiana entrevistou 72 universitários para investigar se os meios digitais influenciavam os finais de relacionamentos. Descobriu que sim. “Rompimentos sempre foram difíceis. As novas mídias tornaram esse processo ainda mais doloroso”, disse Ilana a ÉPOCA. "Ceder ao impulso de espiar a vida do ex prolonga o sofrimento" LIDIA WEBER, psicóloga Antigamente, bastava apagar o nome da pessoa da agenda e deixar de frequentar alguns lugares para evitar o contato com o ex. Agora é preciso deletar o indivíduo do Facebook, do Orkut, do Twitter etc. Isso se o ex-casal não tiver contatos em comum nessas redes sociais. E, se esses amigos compartilham – no caso do Twitter, retuitam – as informações de amigos dos amigos, será preciso pedir gentilmente a eles que parem de repassar as informações indesejadas. Ou apagá-los também. Para piorar, agora também é preciso romper duas vezes. Mudar o status de “namorando” ou “casado” para “solteiro” no Orkut e no Facebook tornou-se um momento tão importante quanto o rompimento na vida real. “É o equivalente a oficializar a separação”, diz Ilana. Em suas pesquisas sobre o uso das mídias sociais, a especialista em redes sociais Raquel Recuero, professora da Universidade Católica de Pelotas, do Rio Grande do Sul, descobriu que a primeira coisa que jovens e adolescentes fazem ao terminar um relacionamento é atualizar o perfil nas redes sociais. Muitos reformulam o perfil. E quem está fora da rede social entra após um rompimento. “As pessoas veem as redes sociais como uma forma de anunciar ao mundo que estão disponíveis. Ou não”, diz. Para os ex-amantes inconformados, as redes sociais podem ser um instrumento de tortura. “É como tentar parar de fumar com uma porção de maços de cigarro espalhados pela casa”, diz o psicólogo Ailton Amélio. A psicóloga Lidia Weber, da Universidade Federal do Paraná diz que o término de um relacionamento equivale a uma pequena tragédia, cujos efeitos no cérebro podem ser comparados à abstinência de drogas. “Ceder ao impulso de espiar a vida do ex prolonga esse sofrimento.” A recomendação dos especialistas àqueles que desejam curar a dor de cotovelo virtual é resistir à tentação de dar a primeira clicada. Paula diz que só assim conseguiu se libertar do ex. “Percebi que, se não parasse de bisbilhotar a vida dele na internet, eu nunca conseguiria sair da relação.” Os dois agora são bons amigos... no Orkut. FONTE: Revista Época.

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