Homenagem À Minha Mãe



Mãe,

Que me abrigou no teu ventre.
Que não me negaste o direito a vida.
Que, sendo jovem, envelheceste, quase morre, me permitindo nascer.
Que, pouco tinha, mas soube repartir tudo comigo.
Que juntava minhas pequenas mãos e me ensinava a agradecer a Deus.
Que me deste a luz da escola.
Que segurava minha mão e me ensinava a desenhar as primeiras vogais.
Que preparava meu lanche no jardim: um pão com uma banana dentro.
Que me deixava na escola, fingia que ia pra casa, e ficava em frente à escola.
Que abençoou minhas mãos, colocando entre elas um livro.
Que, pobre, não tinha roupas caras pra me dar, mas as poucas que me vestiam eram limpas e bem gomadas, com a dignidade e asseio que toda criança merece.
Que vigiava meus passos, e quantas vezes feriu o joelho para que eu não caísse.
Que me via de olho comprido na família rica do vizinho, e ao se aproximar para me conformar, ouvia de mim, aos sete anos: um dia a mãe daqui vai ter um carro pra passear.
Que me educou sob os valores da honestidade, da dignidade, da bondade e do temor a Deus.
Que tantas vezes escondeu as lágrimas e sorriu para não me preocupar.
Que por muito me amar, me punia se as notas eram baixas, queria apenas o melhor pra mim.
Que por anos a fio me alimentou, era a última a se servir e não raras vezes se alimentava do que sobrava, seu amor por seus filhos a alimentava.
Que costurava minhas poucas meias furadas, que remendava meu chinelo com um grampo de cabelo.
Que juntava moedinhas para me levar ao circo.
Que nas minhas noites de febre, velava noite adentro entre preces, rogando a Deus: cuida do meu anjo.
Que me ensinando a ser um bom filho, me preparou para ser um bom pai e, hoje, amo meus filhos não com amor de pai, mas com amor de mãe.
Que acordava de madrugada só pra fazer um lanche ao filho que se preparava ao vestibular.
Que na minha formatura da faculdade, estava lá, orgulhosa entre lágrimas de alegria.
Que amparou os filhos de seu filho nos braços...Amor em dobro.
Que sempre me ensinou que temos um anjo da guarda que nos proteje, que nos ampara, que ilumina nossos caminhos. Hoje, eu sei. Mãe, meu anjo da guarda é você.
Anjo da minha vida, flor do meu destino, serás recebia com festa no céu e lá, ao lado de Deus, encontrarás a tua mãe, porque ser mãe é estar ao lado de Deus.

Do filho que te ama pra todo o sempre,

Raimundo Freire.

Comentários

  1. Freire, a leitura de tuas crônicas, poemas e prosas, poesias, humor, atigo científico é puramente deliciosa. Te expressas de forma a levar o teu leitor a desejar ir até o fim. Tens tua identidade bem marcante em teus escritos, não seria difícil dentificá-los. Mas, esta homenagem que eu acabei de ler... me comovel, me emocionou... e, em lágrimas de emoção, também quero homenagiar tua mãe, mesmo sem conhecê-la, agradecer por VOCÊ, por você existir e ser esse homem, esse pai, amigo, amante, namorado, filho, pelo ser humamo que és.

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