domingo, setembro 14, 2014

Prosa Poética: A Juventude das Velhas Palavras




Os meus novos amigos
Estão muito velhos
Para entender a juventude
Das minhas velhas palavras
Mesmo assim eu as escrevo
Esperando que quem as leia
Sinta-se jovem novamente
Tornando seus velhos dia de rotina
Em novas oportunidades de escrever
Ou de dizer, o velho "eu te amo"
Só assim encontro novas formas
de escrever velhas verdades
Em novas páginas metafóricas 
A poesia que me faz sentir
Um velho poeta nascendo
Cheio de palavras novas...



Raimundo Salgado Freire Júnior


terça-feira, setembro 09, 2014

A Sexta Arte



Aquela que faz o insensível chorar
Nas noites de lua cheia iluminada
Faz no amor impossível acreditar
Esperando o beijo de sua amada

Aquela que faz o analfabeto ler
Nos olhos de sua musa querida
As palavras que não sabe escrever
Mas que conjuga ao amor de sua vida

Aquela que diz de modo diferente
Para os ouvidos apaixonados
O que é comum pra todo gente
Mas só a escutam os privilegiados

Aquela que beija tua boca com palavras
Que rabisca no teu peito uma história
Palavras que do amor são escravas
Aprisionadas em rimas de amor e glória

Aquela que embeleza seus amores
Que torna bela a feia mais triste
Que enriquece com seus sabores
A musa mais insossa que existe

Aquela que faz o coração carente
Ter esperança do amor conhecer
Que transforma o cético em crente
Que faz a noite escura alvorecer

Aquela que acalenta o homem solitário
Que tece os sonhos da mulher esquecida
Que sonha com seu príncipe imaginário
Que ao ouvido vai chamá-la de querida

Aquela que faz do homem um poeta
Que faz da mulher brilhante poetisa
Que torna dia frio em aventura secreta
Que torna dia quente em suave brisa

Aquela que faz o cego enxergar
As cores vibrantes da felicidade
Quem ama com olhos de amar
Mesmo cego encontra claridade

Aquela que chamamos de sexta arte
Que com rimas admira, louva, elogia
Que da literatura é a melhor parte
A noiva do amor infinito, a poesia.


Raimundo Salgado Freire Júnior



segunda-feira, setembro 01, 2014

Desemburrecendo: Se o Cinema é a Sétima Arte, Quais São as Outras?



Segundo o filósofo alemão HEGEL as artes são assim classificadas:


1ª - Arquitetura;
2ª - Escultura;
3ª - Pintura;
4ª - Música;
5ª - Dança;
6ª - Poesia.


Em 1920 os franceses passaram  a denominar o Cinema como a 7ª Arte.


Fonte: Revista Superinteressante.

sexta-feira, agosto 29, 2014

Prosa Poética: Distância Que Aproxima



Depois de tanto tempo
Sem ver teu lindos olhos
Percebi que você, pelo jeito,
Andou chorando colorido
E quando você chora
Sinto que tuas lágrimas azuis
Escorrem pelos meus negros olhos 
Somos tão ligados espiritualmente
Que tuas lágrimas, minhas lágrimas
São como estrelas cadentes
Em noites escuras de ilusões
Sinto que você tem andado
Por caminhos tortuosos
E meus pés sangram pelo teu caminhar
Me perdoe se eu parti teu coração
Pois quando o fiz
Foi o meu que ficou em pedaços
E você ainda pergunta
O porquê fico tão distante?
Por que passo tanto tempo sem te ver?
A resposta é tão simples e forte
Como a ligação que nos une
Se eu ficar perto não resistirei
Me entregarei docemente ao abate
Fico longe, assim tenho controle
Daquilo que é incontrolável em mim
Se eu ficar perto você sentirá
O suor frio da minha mão
Se eu ficar perto você ouvirá
As batidas do meu coração
Queria tanto que você entendesse
Que as vezes ficar longe não é suficiente
Para quem ficou perto por tanto tempo
Que as vezes ficar perto não é o bastante
Para quem ficou longe por tanto tempo
E não restará nada a fazer
Além de confessar perdidamente
Que no meu corpo feliz
Só restará teu perfume...

Raimundo Salgado Freire Júnior



domingo, agosto 17, 2014

Prosa Poética: Não Se Morre Quando se Ama




Não se morre quando se ama
Não, não há morte para quem acredita
Na força do amor imortal
Na chama infinita plantada em nós
Centelhas de Deus
Fomos destinados à imortalidade
O corpo apodrece, por certo
Mas a alma imortal, pois imaterial
Sobrevive com todas suas memórias
Todos os seus amores, tudo de bom que plantou
E cada lágrima do Adeus
Será secada na leve brisa da eternidade
Morte, tu já não me assustas
Teu reinado de medo acabou
Vou sorrir da tua cara
E morrer até a vida que vem
Quando chegar o inevitável momento de partir
E eu é que te darei o abraço da morte
Morrer é nascer e renascer sempre
Onde está teu sorriso ò morte?
Onde tua vã vitória sobre a vida?
A morte é uma farsa
O que ocorre é transformação
É a flor que murcha vagarosamente
Transmutando-se em perfume
Perfumando as esperanças
Do que ficaram para trás
Aguardando a sua hora, certa, de partir
Como tudo que nasce, cresce e perece
Como a flor que nasce, brilha e esmaece
Renasceremos no jardim de Deus!


Raimundo Salgado Freire Júnior

quinta-feira, agosto 07, 2014

Prosa Poética: Passeio à Beira-Mar



O amor é como um farol majestoso
Desnudando o meu caminho até você
Aumentando deliciosamente a cada suspiro
Minha insana vontade de te possuir.
Meu coração é um barco a vagar
No rastro da lua desenhado no mar
Nos braços da musa simples e bela
O vento da paixão assopra minha vela
E me vejo invadindo teu corpo
Como as ondas que invadem a praia: 
Com força e repetidamente...
Quando contemplo meu rosto
No espelho cristalino das águas
Os olhos do meu coração
Só conseguem enxergar você
Teus olhos graciosos, tua boca reluzente
Tuas curvas lambidas pelas ondas
Que escorrem pelo teu corpo
E  beijam teus pés em gratidão
E nesses beijos enlouquecidos
Tenho receio que tu te afogues
Mas como pode afogar-se em água
Um coração que arde em amor?
Você, é a musa dos meus poemas
O fogo que acende minhas entranhas
O colo que abriga minha cabeça estranha
A mão que acaricia meus sonhos
Mesmo aqueles mais bisonhos
Eu, Simples vassalo insolente,
Dedicado a teu amor inclemente
A mão que te escreve poesia
O beijo quente que te faz suspirar
A mente que te deseja e fantasia
Num simples passeio à beira-mar.


Raimundo Salgado Freire Júnior

segunda-feira, agosto 04, 2014

Crônica: Morre o Shakespeare do Nordeste



Sempre gostei de comentar com meus amigos leitores contumazes que se o Ariano Vilar Suassuna (1927-2014) tivesse nascido europeu suas peças teatrais seriam comparadas às de Shakespeare e sua obra-prima "O Auto da Compadecida" seria leitura obrigatória em todas as escolas e universidades do mundo, reconhecida como obra de um dos grandes gênios da literatura mundial.

O Auto da Compadecida (1956), peça teatral que o projetou no cenário nacional, é uma síntese da genialidade, criatividade, improvisação, sarcasmo, humor e misticismo característicos à cultura nordestina, notadamente ao teatro de mamulengos, a literatura de cordel, as danças folclóricas e aos desafios ou "pelejas" de violeiros.

Impregnado desses valores iconoclásticos e míticos tão fortemente arraigados na literatura do nordeste, o Auto da compadecida é considerado o texto mais popular do teatro moderno brasileiro e deixa cristalino a principal característica da obra de Ariano: um forte sentimento de regionalismo, de brasilidade de construção e valorização de um identidade cultural nacional legítima, autêntica e conforme as tradições populares.

Ficou gravado na minha memória uma entrevista que assisti de Ariano dando conta que seu amor pela literatura surgiu na infância quando passava o tempo na imensa biblioteca particular de seu pai (João Suassuna, Governador do Estado da Paraíba) deleitando-se com Vitor Hugo, Gustave Flaubert, Oscar Wilde, José de Alencar e Machado de Assis...Pensei com os meus botões, está tudo explicado....

Ariano Suassuna, paraibano de nascimento, pernambucano de coração, advogado, dramaturgo, romancista, poeta, cronista, professor da Universidade Federal de Pernambuco, Secretário de Cultura de Pernambuco, imortal da Academia Brasileira de Letras, Doutor Honoris Causa da UFRN, defensor incansável de uma identidade nacional, do seu amado sertão nordestino e do nosso sentimento de brasilidade...

Não, não estou de luto, estou em festa por ter sido contemporâneo deste gênio da literatura nacional que passa agora a figurar no panteão onde figuram os nordestinos Gonçalves Dias, José de Alencar, Castro Alves, Aluísio de Azevedo, Artur Azevedo, Rachel de Queiroz, Patativa do Assaré, Manuel Bandeira, Câmara Cascudo, Graciliano Ramos, João Cabral de Melo Neto, Gilberto Freyre, entre outros...

Morre Ariano Suassuna, nasce o Shakespeare Brasileiro!


Raimundo Salgado Freire Júnior.




terça-feira, julho 15, 2014

Prosa Poética : Fragmentos



Peguei a sacola das minhas ilusões
E saí juntando os fragmentos de mim
Que deixei pelo caminho, ao vento
Como conchas na beira da praia
Esperando que alguém as recolha
Para fazer seus castelos de areia
Mas não, não se fazem castelos jamais
Com pedaços alheios esquecidos
Castelos são feitos de sonhos
Guardados nas suas mãos em concha.
Fragmentos guardados no peito
Em forma de sentimentos
Acabam escorrendo pelos olhos
Se precipitando em forma de lágrimas
Nas areias da praia que caminhei com você
Fragmentos depositados aos teus pés
Como ondas apagando as pegadas
Desenhadas por cada beijo teu em mim
Fragmentos que escorrem pelos dedos
Em forma de poesia multicolor
Como gotas no oceano das paixões
Pequenas, mas unidas e inseparáveis
Como minhas mãos unidas às tuas 
Te conduzo para além da arrebentação
Onde o mar é calmo e o amor é profundo
Onde nossos fragmentos se juntam
E se tornam eternidade...


Raimundo Salgado Freire Júnior

segunda-feira, junho 30, 2014

AMIGA



Deixa-me ser a tua amiga, Amor, 
A tua amiga só, já que não queres 
Que pelo teu amor seja a melhor, 
A mais triste de todas as mulheres. 

Que só, de ti, me venha mágoa e dor 
O que me importa a mim?! O que quiseres 
É sempre um sonho bom! Seja o que for, 
Bendito sejas tu por mo dizeres! 

Beija-me as mãos, Amor, devagarinho ... 
Como se os dois nascêssemos irmãos, 
Aves cantando, ao sol, no mesmo ninho ... 

Beija-mas bem! ... Que fantasia louca 
Guardar assim, fechados, nestas mãos 
Os beijos que sonhei prà minha boca! ... 


Florbela Espanca

domingo, junho 22, 2014

A Melancolia de Uma Página em Branco



Uma página em branco...
Tanta coisa pra dizer
Esse amor inconcebível
Vontade de te preencher
Essa atração irresistível
Vontade de escrever

Uma página em branco
É um coração triste e frio
Batendo sem graça, solitário
É como um ator sem cenário
Num grande teatro vazio

Uma página em branco
É como um jardim sem flor
É como um gramado no barranco
Uma pracinha sem banco
Um jardineiro sem amor

Uma página em branco
É como um braço vazio
Sem outro braço para abraçar
É como um vento vadio
Sem brasa para assoprar

Uma página em branco
É como um poeta sem pena
Sem musa, sem inspiração
Sem a rima sutil e plena
Sem lápis, papel e borrão

Uma página em branco
É como um rio sem água
Caminho de pedra, infeliz
sem peixe, sem vida, só mágoa
Pescador de cicatriz

Uma página em branco
esperando ser escrita
Por versos inconcebíveis
De uma mão infinita
De um poeta nordestino
Que escreve, mas acredita
Em vida, amor, em destino

Páginas em branco
São como eu, sem você
Uma poesia sem por quê
Um sorriso entristecido
Um sol sem calor
Um verso deprimido
Um poeta sem amor.


Raimundo Salgado Freire Júnior

quinta-feira, junho 05, 2014

Poesia em Música: De Janeiro a Janeiro


Não consigo olhar no fundo dos seus olhos
E enxergar as coisas que me deixam no ar, deixam no ar
As várias fases, estações que me levam com o vento
E o pensamento bem devagar
Outra vez, eu tive que fugir
Eu tive que correr, pra não me entregar
As loucuras que me levam até você
Me fazem esquecer que eu não posso chorar
Olhe bem no fundo dos meus olhos
E sinta a emoção que nascerá quando você me olhar
O universo conspira a nosso favor
A consequência do destino é o amor
Pra sempre vou te amar
Mas talvez você não entenda
Essa coisa de fazer o mundo acreditar
Que meu amor não será passageiro
Te amarei de janeiro a janeiro
Até o mundo acabar
Roberta Campos

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