Poesia em prosa: Virtu-real

Desistir de resistir,tu me ensinas.
Foi-se o pouco que restava de razão, 
Ante o sorriso largo, fácil, meu, seu.
Não mais protegidos pelo mundo virtual,
O sorriso flagrando a agitação do meu eu.
Os olhos não disfarçam, o martelo foi batido: 
Não somos apenas texto... 
As palavras, as poesias, os textos nos identificaram, 
Quanta verossimilhança, quanta afinidade. 
O real se impôs ao virtual: suores, taquircadia, fato. 
Não há texto que me desconcerte daquele jeito.
O desejo pulou do texto, Fez morada em mim. 
Sorrisos indisfarçáveis, plenos, 
Coração ilumidado, música no carro, 
Sinais evidentes: valerá a pena. 
 Qual menino e menina: sem palavras ficamos.
 Reações iguais, sem jeito, flagrados.
A identificação transcedeu os textos, 
E fez-se, viva, no sorriso nervoso, nosso.
 Quando te vi, sorrindo, em minha direção. 
Tive que dar o braço a torcer,
 Mas não é o pé que está torcido?
Sob comando está, o coração. 
 Por que não fazes planos? 
Por que só queres ir até onde eu te levar? 
Ainda estás no virtual? 
Não seria o virtual a alma do real?
 Ou o real seria a alma do virtual?
 É ridículo fazer planos?
 Quem sabe não é preciso ser ridículo para ser feliz?
 Não gosto quando dizes “só depende de você”.
Juntos construiremos e reconstruiremos essa paixão. 
Cada um com sua dose de insensatez, de insanidade,
Nos encontramos, nos identificamos, nos admiramos... 
Vem, divide comigo tua carência,
 De dizer e ouvir frases lindas, eróticas, poéticas... 
Por que tudo na vida é risco, o seu e o meu. 
Ouve-me:esquece as ilusões de um passado tedioso, 
Passado que não fui autor, passado estéril, sem flor. 
Vem, mergulha de olhos fechados,
Vem, minha mão te guiará, 
Como dizes: maduros e sábios,
Onde só os felizes conseguem chegar.
Vem, te espero, sou teu, preciso,
Com um jeito de safado, 
Com um tesão de encarcerado, 
Mas com as flores de um sorriso.


Raimundo Freire

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